Você já ouviu falar em Alexitimia?
Alexitimia é uma condição caracterizada pela incapacidade que muitas pessoas têm em reconhecer suas próprias emoções. Apesar de não ser considerada um transtorno mental, esta fragilidade emocional traz muitos prejuízos para quem a ignora e está diretamente ligada a uma baixa inteligência intrapessoal, essencial para a vida de todos nós.
- A importância de se desenvolver a habilidade de gerir as próprias emoções desde criança
- Pensar e refletir sobre uma emoção faz ativar o neocórtex!
- 4 capacidades extremamente importantes adquiridas por quem desenvolve sua Inteligência Interpessoal
Com a chegada da revolução cognitiva, no fim da década de 60, o foco da ciência psicológica voltou-se para como a mente registra e armazena informação e para a natureza da inteligência, no entanto as emoções continuaram sendo uma zona interditada. Na época, ficou convencionado entre os cientistas cognitivos que a inteligência somente existiria enquanto processo frio, racional e duro acerca dos fatos. Para eles, emoções e sentimentos não poderiam ter lugar na inteligência por causarem confusão no esquema de raciocínio.
Na contramão desta teoria, o psicólogo Howard Gardner da Escola de Educação de Harvard, trouxe à tona a importância do reconhecimento das próprias emoções na formação de um indivíduo com capacidades de inteligência mais ampla.
“Muitas pessoas com 160 de QI trabalham para outras com 100 de QI, caso as primeiras tenham baixa inteligência intrapessoal e as últimas, alta. E, no dia a dia, nenhuma inteligência é mais importante do que a intrapessoal. Se não a temos, faremos escolhas errôneas sobre com quem desposar, que emprego arranjar e assim por diante. Precisamos treinar as crianças em inteligências intrapessoais na escola”.
A importância de se desenvolver a habilidade de gerir as próprias emoções desde criança

E por falar em crianças, estas são as que mais vêm sofrendo nos dias de hoje, justamente pelo excesso de cobrança por performance e alto desempenho, em detrimento de uma educação onde aprender a gerir as próprias emoções também seja relevante.
Segundo o Instituto de Psiquiatria da USP (2023), 35% dos estudantes brasileiros relatam altos níveis de ansiedade acadêmica relacionados ao desempenho. O medo de errar, a busca por excelência acadêmica, as dificuldades de socialização e a pressão por resultados geram estresse, podendo comprometer o aprendizado e a saúde mental dos alunos. Dados do Ministério da Saúde também corroboram para este resultado revelando que os casos de ansiedade entre crianças e adolescentes aumentaram mais de 3.000% na última década.
Para o psicólogo clínico Saulo Maciel os estudantes não aprendem a lidar com estados desconfortáveis de existir, como ansiedade, tristeza, frustrações, que são emoções comuns. Isso reforça a tese da importância da inclusão nas escolas de disciplinas que vão além das convencionais como matemática e português, por exemplo. As crianças e adolescentes precisam mais do que nunca aprender desde muito cedo a desenvolver a autoconsciência para serem capazes de gerir melhor suas emoções e com isso alcançar habilidades como inteligências intrapessoal e interpessoal tão importantes para seu bom desempenho pessoal e profissional no futuro.
A inteligência intrapessoal é essencial para o desenvolvimento da inteligência interpessoal e ela consiste na metacognição, ou seja, da consciência que se tem do próprio processo mental.
Pensar e refletir sobre uma emoção faz ativar o neocórtex!

Essa autoconsciência ativa o neocórtex para que as emoções despertadas sejam identificadas e nomeadas. Ela não é uma atenção que se deixa levar pelas emoções reagindo com exagero e amplificando a percepção. Ao contrário, é um modo neutro, que mantém a autoreflexividade mesmo em meio a emoções turbulentas.
Em termos de mecânica neural da consciência, essa pequena mudança de atividade mental avisa que os circuitos do neocórtex estão monitorando ativamente a emoção, primeiro passo para adquirir algum controle. Essa consciência das emoções é a aptidão emocional fundamental sobre a qual se fundam outras, como o controle emocional.
A americana Mary Jo Hatch, conhecida por aplicar abordagens interpretativas e simbólicas ao estudo das organizações e o psicólogo Howard Gardner defensor da tese de que a inteligência não é uma capacidade única (medida apenas pelo QI), mas sim um conjunto de múltiplas inteligências, elaboraram o que eles nomearam de Componentes da Inteligência Interpessoal.
4 capacidades extremamente importantes adquiridas por quem desenvolve sua Inteligência Interpessoal:

- Organizar grupos – Aptidão essencial de um líder que envolve iniciar e coordenar os esforços de um grupo de pessoas.
- Negociar soluções – O talento do mediador que evita ou resolve conflitos.
- Ligação pessoal – O talento de empatia e ligação. Isto facilita estabelecer um relacionamento ou reconhecer e reagir adequadamente aos sentimentos e preocupações das pessoas – a arte do relacionamento.
- Análise social – Poder de detectar e intuir sentimentos, motivações e preocupações das outras pessoas.
A inteligência interpessoal é fundamental para o sucesso pessoal e profissional porque envolve a capacidade de entender, se relacionar e interagir bem com outras pessoas — uma habilidade crucial em praticamente todos os contextos da vida. Ela é, atualmente, uma das soft skills mais valorizadas no mundo, não apenas por facilitar o sucesso profissional, mas também por enriquecer a vida pessoal, tornando os relacionamentos mais harmoniosos e significativos.


