A vontade é um dos poderes mais sublimes que um ser humano pode possuir para alcançar a alta performance no que quer que deseje. Ela se impõe sobre as circunstâncias e nos faz encarar, com entusiasmo e perseverança, desde adversidades mais simples até dificuldades extremamente desafiadoras.
Os filósofos alemães Friedrich Nietzsche e Immanuel Kant, mesmo tratando o conceito de formas radicalmente distintas, deixaram evidente em suas obras a relevância do tema para a sociedade. Nietzsche conceituou a “vontade de poder ou de potência” como a principal força motriz em seres humanos para realização, ambição e esforço para alcançar a posição mais alta possível na vida. Em uma obra póstuma, publicada por sua irmã com fragmentos do que ele havia deixado escrito, a vontade foi definida como força vital e instintiva que busca afirmação, superação e poder. Kant, no entanto, correlacionou a vontade à moralidade, à vontade pura, racional, livre de influências externas, guiada apenas pela lei moral, onde o correto é agir por dever e não por conveniência ou emoção e muito menos para alcançar algum fim.
É indiscutível que a vontade tem o poder de sintetizar as potências humanas e canalizá-las para uma única direção e que dificilmente um ser humano dotado deste tipo de habilidade ou competência, deixa de alcançar seus objetivos. Vemos exemplos disso na história, na arte, na literatura, na vida…

O espírito do guerreiro espartano, por exemplo, é um dos símbolos mais marcantes da história. Ele representa uma combinação de enorme vontade, disciplina, coragem, honra, resistência física e emocional, lealdade ao coletivo e desprezo pelo conforto ou pela fraqueza. A cultura de Esparta era profundamente moldada por esse ideal guerreiro. O guerreiro espartano não temia a morte em batalha, pois morrer lutando era considerado a forma mais honrada de partir. Essa coragem não era apenas física, mas também moral. O lema era lutar mesmo diante de adversidades esmagadoras, suprimindo desejos e suportando todos os tipos de dificuldades.
A grande vontade de proteger seu povo e lutar por ele, também é muito bem retratada em “A lenda do rei Arthur”, onde o jovem nobre não hesita em usar sua espada mágica Excalibur para unificar seu reino, criando a Távola Redonda, onde ele e seus cavaleiros lutavam por justiça, coragem e honra. Mesmo não sendo o mais forte nem o mais ambicioso, o rei Arthur, munido de extrema coragem, senso de justiça, humanidade e principalmente, de uma enorme aspiração de servir ao seu povo, cumpriu sua missão unificando seu reino em uma época de guerra e instabilidade.
O arquétipo do herói
Sem dúvida o arquétipo do herói é o que mais nos inspira na busca pelo alto desempenho na vida e é muito natural que nossa mente nos direcione para exemplos como o “Guerreiro espartano” e o “Rei Arthur” quando queremos lembrar de atos de coragem, determinação, vontade extrema, honra e dignidade, utilizadas em conjunto para o alcance de grandes resultados.
Mas você já parou para pensar por que temos a tendência de ir a um passado tão distante para encontrar os grandes heróis? E por que temos tanta dificuldade nos dias de hoje para identificar indivíduos ou grupos que representem tão bem este arquétipo?
Podemos responder a esta questão sob várias perspectivas, mas voltando a falar sobre “vontade” vimos, ao longo do tempo, que este conceito foi perdendo o seu verdadeiro significado, tão bem representado pelos antigos heróis.
Diferença entre desejo e vontade

Diferentemente do passado, onde a vontade estava diretamente ligada a determinação e perseverança por uma causa maior, hoje ela virou sinônimo de desejo, que tem significado bastante diferente. Quando falamos “estou como vontade de comer um bolo de chocolate”, por exemplo, na realidade estamos utilizando a palavra “vontade” como sinônimo de “desejo”. O que a realização deste desejo irá trazer é uma satisfação imediata que quando acontece, rapidamente, nos deixa prontos para desejar uma outra coisa novamente. A “vontade” tão importante para a realização dos “grandes feitos”, atualmente, está em escassez porque foi reduzida e empobrecida em sua essência.
Lembre-se sempre:
O resultado da realização de um desejo é a recompensa instantânea acompanhada por uma sensação de satisfação, sentimento que se esvazia no minuto seguinte. Já a realização da vontade pode ser constante e nos trazer gratificação e entusiasmo.
O entusiasmo não é cíclico, ele é um motor propulsor constante, de alta potência, com o poder de nos fazer alcançar grandes metas e que somos capazes de manter por toda a vida.
Para alcançar o seu melhor resultado você só precisa agir como um herói!


