Hoje vivi um evento de sincronicidade muito especial!
- Filosofia e ciência em sintonia na definição sobre o que é e onde está localizada a consciência humana.
- O físico e o metafísico
- A consciência exige presença
Confesso que esses eventos são frequentes na minha vida, mas este especificamente me inspirou a estar aqui escrevendo. A princípio fiquei em dúvida sobre escrever sobre o próprio tema “sincronicidade” ou sobre o fato que causou o evento, mas como o episódio ainda está bem fresquinho na minha memória e é de relevância e riqueza tão grandes, deixarei o tema sincronicidade para outro dia. Não por ser menos importante, longe disso! E sim para não deixar que minha memória acabe me traindo.
Só dando uma breve explicação sobre sincronicidade para que quem ainda não conhece o tema, possa entender no decorrer do texto o que ocorreu comigo.
Sincronicidade é um conceito criado pelo psiquiatra suíço Carl Jung para descrever acontecimentos que parecem coincidir de forma significativa, mas sem uma relação causal direta. Em outras palavras, são eventos externos que se conectam a um estado interno (pensamento, emoção, intuição) de maneira tão precisa que parecem mais do que simples acaso. Jung define a sincronicidade como uma espécie de “coincidência significativa”.
E foi exatamente o que aconteceu comigo: uma coincidência significativa!
Tenho alguns hábitos na minha vida dos quais raramente abro mão. Dois deles são: ler antes de dormir e ouvir as palestras da professora de filosofia Lúcia Helena Galvão enquanto dirijo para o trabalho. Como gosto muito de filosofia e não consigo dar conta de ler tudo o que eu gostaria, aproveito o meu momento de deslocamento para ouvir a professora, que na minha opinião é uma das grandes filósofas e facilitadoras da filosofia no Brasil.
E foi começando a ouvir uma nova palestra da professora que tomei consciência do que estava ao meu alcance: o próprio tema “Consciência”, explicado por ela, e que “coincidentemente” tinha passado pelas “minhas mãos” na noite anterior através de um outro grande conhecedor do assunto e por quem também tenho grande admiração, Dr. Joe Dispenza. Neste momento, estou mergulhada na leitura do livro “Como se tornar sobrenatural” deste escritor, pesquisador e palestrante internacional. Diga-se de passagem, a obra é transformadora para quem se interessa pelos estudos da consciência humana.
Não por coincidência, mas por sincronicidade, o capítulo do livro que havia acabado de começar (capítulo 11, Espaço-tempo e tempo-espaço) falava exatamente sobre o que nos torna seres conscientes: a percepção através dos nossos sentidos.
Estou tendo o privilégio, de ao mesmo tempo, aprender mais sobre consciência pelas perspectivas da filosofia e da ciência e com dois mestres destas áreas. Posso dizer que está sendo uma jornada maravilhosa e muito surpreendente.
Filosofia e ciência em sintonia na definição sobre o que é e onde está localizada a consciência humana.

Para ambas, a consciência pode ser percebida no mundo físico de maneira subjetiva e através dos sentidos, mas a verdade é que ela está muito além dos sentidos. Ela é única e pertence a todos.
A filosofia fala da consciência se referindo ao “Uno”, ao “Todo” e a física quântica se refere ao “Campo unificado” e a “Unicidade” ao explicar onde ela vive.
Peço licença a Dr. Joe Dispenza e à professora Lúcia Helena Galvão para tentar falar um pouquinho com as minhas palavras sobre a visão deles no que diz respeito a consciência.
O físico e o metafísico
A professora Lúcia Helena se baseou no livro “As esferas da consciência”, do professor Carlos Adelantado Puchal, para discorrer sobre os enigmas da consciência humana. Ao começar pela primeira esfera, ela cita a única e exclusiva percepção que temos após chegarmos ao mundo, o nosso “pequeno eu”. Nossa única preocupação neste exato instante passa a ser como este “eu” sobrevive, como ele mata a fome, a sede, como ele descansa, como ele faz tudo isso com segurança, e atende a todos os seus desejos. Então, perante a filosofia, a primeira coisa que a gente pode perceber como atributo fundamental da consciência é a perceptividade.

Dr. Dispenza assina embaixo definindo o mundo físico, tridimensional, regido pelas leis newtonianas, como o local onde os sentidos dão origem à experiência de realidade física. Neste mundo se você perde os sentidos, se torna incapaz de experimentar objetos físicos porque simplesmente não tem consciência deles. Nele, por utilizarmos os sentidos para navegar pelo espaço, colocamos a maior parte da atenção nas coisas físicas, como pessoas, objetos e lugares. Tudo isso representa pontos de consciência dos quais experimentamos separação.
Isso significa que quanto mais usamos os sentidos para definir a realidade, mais experimentamos a separação. Como a maior parte da realidade tridimensional tem base sensorial, espaço e tempo criam a experiência de separação de todas as pessoas, todas as coisas, todos os lugares e todo corpo, em todo o tempo.
Com seu olhar filosófico, a professora Lúcia Helena confirma a ciência afirmando que a consciência se produz no contraste. Entre duas notas musicais, por exemplo, nós percebemos ambas. No entanto, se só houvesse uma nota soando o tempo todo no universo, não a perceberíamos justamente por não haver contraste.
Segundo ela, do ponto de vista da filosofia antiga, clássica, tanto ocidental quanto oriental, existe um grande contraste no universo. O maior de todos! O contraste entre espírito e matéria, ou seja, entre o físico e o metafísico. E é neste contraste que nasce o início da consciência.
Também de acordo com a filósofa, tradições budistas no Oriente, defendem a tese de que o universo nasceu para este fim, para que esse Uno pudesse ter consciência de si próprio. Porque quando se tem apenas um, não se tem consciência de nada, não existe contraste.
Voltando ao raciocínio de Dr. Dispenza e para a compreensão da física newtoniana, onde o mundo é percebido pela percepção do outro e das coisas, através da separação entre todos, no tempo e no espaço, entendemos que estamos sempre sendo forçados a desejar algo que falta, lidando com sentimentos de frustração e impaciência, e esta experiência de falta e de separação nos faz viver em estado de dualidade e polaridade.
A consciência exige presença

É aí que novamente Dr. Dispenza entra para confirmar através da ciência, desta vez com a física quântica, o que a filosofia há milhares de anos já havia constatado. O sentido da vida humana está justamente na busca pela conexão e integração com o Uno. Quanto mais elevamos a nossa consciência, menos nos distraímos com o mundo sensorial atribuindo valor apenas ao que podemos enxergar e possuir.
Quando retiramos nossa atenção das pessoas e das coisas, deixamos de colocar a atenção no nosso corpo, nos tornamos corpo nenhum, pessoa nenhuma, coisa nenhuma em lugar nenhum, em tempo nenhum. Passamos do mundo dos sentidos para os mundos além dos sentidos. As leis quânticas lidam com o imprevisível e o invisível, o mundo de energia, ondas, frequência, informação, consciência e todos os espectros de luz. Uma constante invisível governa esse mundo, um campo único de informação chamado Campo unificado. Neste local não há separação entre dois pontos de consciência. É o domínio da unicidade ou da consciência de unidade. E se o tempo é infinito e eterno, não há separação de passado ou futuro, tudo acontece exatamente agora, no eterno momento presente.
E como vimos antes que a consciência é percepção e que percepção é prestar atenção, o primeiro passo para experimentar o Campo unificado, a Unicidade, o Uno, ou o Todo é tomar consciência deles, porque, se não existe consciência deles, eles não existem. Assim, quanto mais se presta atenção a eles, mais se conscientiza deles.
Veja outros posts, clicando aqui.


